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Armandinho

Quando eu vi Caetano cantando “Alegria, alegria”, no Festival da Record, eu chorei em casa, me arrepiei. Era emocionante ver tudo de que eu era fã e estava apaixonado, como Beatles e Rolling Stones, numa manifestação brasileira, da juventude.

Uma vez eu ouvi Capinam falar que quando a guitarra chegou na Bahia ela já estava no Trio Elétrico. Realmente, quando o rock chegou eu já tinha guitarra, amplificador, já trabalhava com a distorção natural das cornetas metálicas do Trio, com aquele excesso de som, mas ainda dentro da estrutura musical de meu pai. Eu ainda não tinha chegado à fusão da guitarra com aquela informação toda que vinha de fora.

Vi em Gil, Caetano, nos Mutantes, a possibilidade de ser brasileiro, de fazer meu som de guitarra brasileiro, baiano, e ter a nossa música enquadrada naquela onda toda de transformação do comportamento, de tudo.

Em seguida, desenvolvendo essa coisa meio tropicalista também, vieram os Novos Baianos. Uma influência muito forte para mim, principalmente, pela fusão do chorinho, da guitarra com o bandolim. Só que neles
o momento do acústico era acústico, o momento da guitarra era guitarra. Mas como eu tocava guitarra
e bandolim, quando a gente formou A Cor do Som, a partir de 77, eu já tinha essa fusão mais trabalhada.

O nome do grupo A Cor do Som foi uma herança do nome do núcleo de guitarra, bateria e baixo
dos Novos Baianos, que o Galvão e o Moraes passaram a chamar de “A cor do som”. Aprendi muito
com eles, com toda aquela história musical, mas a gente aprende e faz a nossa assimilação própria, então no meu caso a música já pôde ser como a que eu continuei fazendo todos os dias, de mistura do acústico com a guitarra baiana.

O mesmo trabalho de fusão fui desenvolvendo no Trio Elétrico. A partir de 75 comecei a mexer
na concepção musical do Trio, a veicular as minhas músicas e as de Haroldo, meu irmão, já tínhamos
o Moraes Moreira com a gente, colocando voz e suas composições também. Começamos a fazer
a transformação do Trio para o que ele é hoje: uma banda em cima do caminhão, sem aquelas percussões laterais de charanga, de fanfarra. Tiramos taróis, bumbos e colocamos em cima do Trio percussão, tumbadoras e bateria. Começamos a dar a nossa sonoridade ao trabalho que o meu pai começou
e que hoje impera no carnaval da Bahia.

É como Caetano Veloso descreveu numa das capas de disco nosso há anos atrás: “O Trio Elétrico
com seu som antropofágico carnavaliza tudo pela frente, dos clássicos mais populares aos populares
mais clássicos”, isso é o que meu pai vinha fazendo, é o que eu aprendi.

Pude desenvolver esse trabalho devido a um passaporte inicial, que foi a Tropicália. Um passaporte para aquilo que arrepiava, emocionava. Estava dentro da gente, mas ainda não tinha sido colocado prá fora.

Exclusivo para o site Tropicália.

 
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